O Grande Engenheiro olha por ti

Câmaras de video-vigilância no Técnico: medida eficaz de combate ao furto, ou sinal de uma sociedade que se dispõe a trocar liberdade por segurança?

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 Até o mais distraído já terá reparado nas várias câmaras de videovigilância instaladas por todo o campus. Será o IST um local perigoso? “Foi a própria PSP que aconselhou a sua instalação”, arranca o Eng. João Ferreira, coordenador do Núcleo de Higiene e Saúde e responsável pela intervenção. E assegura, “pode servir como dissuasor junto dos assaltantes: vão pensar duas vezes antes de furtarem alguma coisa”.

Insegurança e eficácia

“Mas afinal que assaltos existem dentro de uma faculdade?”, pergunta Luís Veiros, professor do Departamento de Engenharia Química e Biológica. Há dois anos (6 de Abril de 2006) o Diferencial abordou a insegurança dentro e fora do IST: João Ferreira assegurava então que os roubos cá dentro eram raros. Terão piorado? Este responsável diz que têm ocorrido alguns furtos, principalmente em viaturas e salas de aula: “só este mês foram dois”, lamenta.

Assim, o Técnico decidiu instalar as câmaras de videovigilância, “como é feito noutros espaços públicos”. Reduzirão o número de assaltos? Como comparação, note-se que no ano passado o Partido Liberal Democrata inglês apresentou na Assembleia de Londres (equivalente à Assembleia Municipal) dados que apontam que, nesta cidade com mais de dez mil câmaras de segurança, os níveis de solução de crimes eram semelhantes em zonas com ou sem video-vigilância — facto
confirmado pela polícia londrina. Mas o Professor António Moret Rodrigues, vogal do Conselho Directivo responsável pela área de Obras e Espaços, Segurança e Estacionamento, discorda: “tenho a percepção de que as câmaras são úteis como elemento dissuasor”.

Segundo João Ferreira, “a verba requerida para a instalação foi relativamente elevada”. Mas acrescenta rapidamente: “dependendo do padrão de comparação, claro”. Não seria mais barato e eficiente contratar mais Mikes (nome de guerra dos seguranças do IST)? O professor discorda: “a instalação das câmaras é um investimento único. Mais efectivos implicariam gastos acrescidos todos os meses”.

Privacidade

Uma das críticas à instalação das câmaras revela a possibilidade de violação de privacidade. Eduardo Pinto de Sousa, aluno do terceiro ano de Eng. Mecânica, é dessa opinião: “as câmaras não colocarão em causa a nossa privacidade? Quem controla o que é gravado?”. O Eng. João Ferreira explica: “as imagens ficam arquivadas trinta dias e só podem ser visualizadas pela
polícia”; além disso, “as câmaras estão apenas no exterior, corredores e laboratórios de alta tecnologia. É proibido colocá-las em salas de aula, jardins, bares ou campo de jogos”. Sem câmaras nas salas, como é que o sistema ajuda a evitar furtos — como o ocorrido no Espaço 24 horas, onde foi roubado um portátil a um aluno? João Ferreira esclarece: “é possível filmar o assaltante ao sair da sala, identificandoo mais tarde”. Juntamente com António Moret Rodrigues, mantém a confiança no sistema, mesmo quando o movimento é grande e a detecção do larápio mais difícil, como durante as épocas de testes e exames. Perante a questão da privacidade, é fácil lembrar a frase de Benjamin Franklin: “They who give up essential liberty to obtain a little temporary safety deserve neither liberty nor safety”. O professor comenta com humor: “vê-se
que Franklin nunca foi assaltado”. Quanto aos críticos, António Moret Rodrigues julga que “quando lhes tocar, o discurso mudará”.

Críticas fortes

Palmira Silva, professora do Departamento de Engenharia Química e Biológica, insurge-se: “as câmaras são um reflexo do amorfismo que se vive na nossa sociedade”. E espanta-se que “ninguém se manifeste contra ou a favor: já não há posição crítica sobre nada?”. O prof. Luís Veiros reclama: “o que me faz confusão é que foram instaladas sem aviso. Um dia cheguei ao IST e tinha uma câmara apontada para mim”. Armando Vieira, aluno de Eng. Electrotécnica nos idos anos setenta, recorda que “antes do 25 de Abril estavam instaladas diversas câmaras para vigiar os movimentos estudantis, nomeadamente os subversivos: ajuntamentos, mini comícios ou colagem de cartazes”. Com ou sem câmaras de videovigilância, a equipa de segurança do Técnico tem boas relações com a PSP: “disponibilizam logo ajuda
quando há problemas”, esclarece João Ferreira. E há sempre vigilantes competentes dentro e fora dos edifícios, 365 dias por ano, 24 horas por dia. Fica no ar a questão: para quê as câmaras? Certo é que, como finaliza João Ferreira, “a segurança começa em nós”.

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4 comentários a “O Grande Engenheiro olha por ti”

  1. tiago goncalves Diz:

    Já ouve quem tenha reagido, ainda antes da saída do vosso jornal.

    parabéns pelo vosso trabalho!

    já agora, fica aqui mais uma sugestão.

  2. A tua mãe Diz:

    “só este mês foram dois”
    “quando lhes tocar, o discurso mudará”

    Se assim for, vai demorar algum tempo até que o discurso mude significativamente. Principalmente se as câmaras forem “úteis como elemento dissuasor”.

  3. Joaozinho Diz:

    se de facto existem cameras de vigilancia no IST postas a funcionar recentemente (nao reparei…), julgo que há qualquer “coisa” na lei que OBRIGA o IST a informar, atraves de placards bem visiveis, que ao entrar no espaço IST-Alameda - Voce está a ser Filmado -

    nao existindo esses placards ou sinais de aviso, nao sei até que ponto terá validade a Vigilancia.

    o que está escrito na lei entre outras alineas

    f) Nos locais objecto de vigilância é obrigatória a afixação, em local bem visível, de aviso que assegure o direito de informação, nos termos do n.º 3 do artigo 13.º;

    os mais interessados podem ver a lei aqui
    http://www.cnpd.pt/bin/orientacoes/principiosvideo.htm

    ainda NAO VI alem de facto de uma camera ou outra afixado em lado nenhum o belo do placard - SORRIA [..] ou o IST encontra-se sob circuito de video privado…..[…]
    se tal nao estiver afixado, nao só nao há validade na utilizaçao dos videos a nivel legal, como o suposto ladrao ainda pode processar a instituiçao pois estão a ser violado os seus direitos de imagem.

    o IST deveria ter no minimo afixado em cada entrada (para veiculos e pessoas a pé) que ao entrar no espaço IST estava a ser filmado. se isso nao está a acontecer e entro todos os dias no IST e nao vi nada, o sistema de video Vigilancia nao passa de um Big-brother privado sem utilidade legal e passa a ser claro, ilegal pois nao estamos devidamente informados.

    PS - os avisos de proibiçao de fumar sao bem visiveis…porque é que os de video nao são ??

  4. Joaozinho Diz:

    um acrescento ao meu anterior comentario,

    Nao se considera “bem assinalado” um papel A4 agrafado a um placard de cortiça no corredor da antiga reprografia de Civil a dizer, voce está a ser filmado.

    este tipo de avisos tem que se posto na entrada dos edificios em locais bem visiveis, com destacamento individual. as portas seriam um bom sitio para uns autocolantes A4 a dizer, alem do proibido fumar, o aviso de que está a ser filmado.

    em civil é o unico sitio que me lembro de ver, mas nos proximos dias vou “andar de olho” pois, ja que tambem existem camaras nas ruas do IST, devia haver tambem aviso nas entradas. e nao há, o que é violaçao dos nossos direitos de imagem.

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